Categorias

Arquivo

26 de outubro de 2016

Se geo-conquesting é um termo desconhecido para você, pense nessa situação: você é gestor de marketing, empresário ou empreendedor, responsável por um negócio de varejo com lojas físicas, e descobre que suas vendas estão caindo.
Assim, convoca seu time responsável, investiga a questão e tudo parece estar OK: investimentos em comunicação, ofertas, vendas, frente de loja. Todas as atividades estão em dia, não há furos, nada mudou, não é uma questão da economia ou algum fator macroambiental. A crise está aí instalada, não é novidade e você já está preparado. Então, onde estão seus preciosos clientes potenciais? Como bom gestor, você sai do prédio inconformado e vai entender a realidade, ver com seus próprios olhos. Fala com alguns clientes e não percebe nada de errado. Uma volta no bairro e nada de anormal: confere toda a mídia local, promotores, placas, revistas, folhetos, jornais e nada de novo também. Continua sua investigação incansável e visita o concorrente mais próximo. Para sua surpresa, a loja dele está com o movimento acima da média.

Você revisa suas estratégias de marketing digital:
  1. Marca já está bem posicionada no Google e pensou em micro-moments para quando alguém busca sua loja.
  2. Site responsivo, funciona bem no mobile e foi feito a partir da estratégia mobile first.
  3. Localização e contatos são de fácil acesso e integrados ao smartphone e aos apps de mapas. Um clique e seu cliente pode telefonar ou abrir o Waze com sua loja como destino sem precisar digitar nada.
Reproduzindo uma possível experiência do consumidor, você descobre a origem do movimento da concorrência: um anúncio geolocalizado na área da sua loja com uma oferta que está atraindo seus preciosos clientes para o ponto de venda do concorrente mais próximo ao seu. Assim, você acabou de conhecer um dos maiores desafios de nosso tempo.

Com o geo-conquesting, uma marca que tenha um produto ou serviço comercializado em lojas físicas realiza uma ação de geo-marketing, utilizando a localização espacial como um dos pilares para aprimorar a relação de troca e construir valor. A grande novidade é colocar esse anúncio na localização do concorrente, uma tática guerrilheira realizada no espaço digital de navegação e rotas.

Colocar cartazes, placas com ofertas e até promotores lutando por atenção próximos a uma loja concorrente não é algo novo. Experimente ir comer um pastel depois de visitar o Museu do Futebol em dia de feira, em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, e você vai viver isso na prática: três barracas de pasteis disputam cada cliente que passa com um simpático e/ou irritante "Bom dia! Pastel é aqui [nome da barraca]" e, por incrível que pareça, funciona.

No geo-conquesting, seu cliente potencial, ao passar próximo ou estar dirigindo-se à sua loja, ao chegar às redondezas em uma área delimitada - chamada geo-fence - se depara com um anúncio nativo do concorrente no aplicativo de navegação, cuidadosamente elaborado com uma oferta sedutora, que o leva ao ponto de venda alternativo mais próximo.

O menor impacto é seu concorrente plantar uma dúvida na cabeça de seu cliente potencial, o maior é você perder uma venda. De uma maneira ou outra, seu negócio perde performance.

A disputa por clientes e o monitoramento da concorrência ganharam novas escalas. A boa notícia é que, se você está lendo esse artigo e chegou até aqui, talvez seu competidor não o tenha feito ainda. E você pode ser o responsável pela loja com maior movimento enquanto ele poderá estar correndo por aí tentando entender o que está acontecendo.

Para atuar com táticas de geo-conquesting de maneira eficiente, não basta promover um anúncio na localização de seu concorrente, um pouco mais de estratégia poderá auxiliá-lo. Nesse quesito, o artigo Geolocalização: qual seu próximo destino?, de Roy Timor, pode ajudá-lo a organizar sua estratégia.
Pensar e planejar o conteúdo de seu anúncio é outro aspecto importante e Eric Messa pode ajudá-lo com Dicas de produção de conteúdo para uma campanha eficaz. Neste cenário competitivo, novos dados e informações como geolocalização e presença digital dos concorrentes são importantes e devem estar presentes em seus sistemas de informação de marketing, além dos indicadores de performance tradicionais.

>> Precisa de um atalho?
  1. Mapeie sua geolocalização, bem como a de seus concorrentes. E fique atento ao monitorar a concorrência, inclua o espaço digital em suas ações.
  2. Conheça e estude regularmente os hábitos e comportamentos de seus clientes em trânsito.
  3. E o mais importante: experimente. Comece com pequenas táticas mais guerrilheiras ligadas a suas estratégias de marca e de varejo. Teste pins e arrows no Waze e meça seus resultados. Corrija a rota e aí, sim, lance ações de maior porte.


Fernando Dineli é Mestre em Comunicação Social - Especialista em grupos sociais e cultura midiática. Publicitário formado pela FAAP. 18 anos de experiência no mercado de marketing, Desses, 10 anos focados em planejamento estratégico e negócios. Hoje atua na Accentiv', empresa especialista em Marketing de Relacionamento do Grupo Edenred, onde começou em 2015 como consultor. Quer saber mais? Conheça nossos autores
facebook twitter email

Já falamos muito sobre a gente

Vamos falar de você

Será que acabamos se tornam melhores amigos ? Você vai ouvir de nós em breve.