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19 de dezembro de 2016

Qual é a sua voz preferida nos aplicativos? Quem conduz você no voice prompt do Waze? Prefere Jane, em inglês, ou nossa querida Alessandra, em português? Ou a voz de uma celebridade indicando seu caminho? Pode até parecer algo banal pensar sobre as vozes que os usuários utilizam em seus aplicativos, mas essa escolha pode dizer muito sobre o comportamento do consumidor e também ajudar empresas a aumentar o engajamento em suas ações de marketing. Sério! Vem comigo que eu explico.

Por exemplo: os bebês ouvem a voz da mãe desde o útero e, após o nascimento, a lembrança dessa fala os acalma. Naturalmente, vozes femininas similares terão efeito parecido ao longo da vida. Por outro lado, diversos estudos mostram que vozes mais graves inspiram confiança e até influenciam na escolha de líderes, mesmo quando se trata de vozes femininas, que normalmente são mais agudas. Mulheres com vozes mais graves têm mais possibilidade de receber votos numa eleição.

Parece loucura? Nem tanto... Afinal, esse fator biológico é a mais provável explicação para o buzz gerado pela chegada do voice prompt de Morgan Freeman ao Waze: revistas de negócios e sites de entretenimento noticiaram o fato e a busca simples das palavras "Morgan Freeman + Waze" no Google gera cerca de 127 mil resultados. Essa ação fez parte da estratégia de lançamento do filme Invasão a Londres, no qual o ator interpreta o presidente dos EUA. O filme talvez não seja dos mais inesquecíveis, mas a quantidade de gente que ficou pedindo mais de Morgan Freeman quando a campanha acabou mostra a força dessa ideia - e como tendemos a confiar numa voz quando ela é grave e impõe credibilidade.

No Brasil, já tivemos as vozes de Fábio Porchat e de Sid, de A Era do Gelo, em voice prompt, entre outros. A intenção é sempre aumentar o engajamento no próprio Waze, mas principalmente envolver mais o usuário com a marca - no caso de Porchat, o canal Porta dos Fundos; e no de Sid, o lançamento de mais uma sequência da franquia de desenhos animados de sucesso.

O consumidor está cansado de mesmice e também um tanto saturado de estímulos, o que torna a conquista de sua atenção um desafio diário para quem trabalha com comunicação e marketing. Entre as alternativas para superar esses obstáculos está justamente o entretenimento, que fornece uma saída, ainda que breve, para o peso do cotidiano estressante. Uma voz brincalhona, como a de Sid, que faz a criança se acalmar no banco de trás, certamente deixa os pais mais amigáveis em relação à marca Era do Gelo. E rir um pouco ouvindo Fábio Porchat dizer "agora é a esquerda, não é isso?" pode aplacar a impaciência de quem está há bem mais tempo do que gostaria preso no trânsito.

Estar inserido no voice prompt de um aplicativo usado diariamente por milhares de pessoas é um caminho mais do que criativo - é uma opção efetiva no alcance de público.

>>Precisa de um atalho?
  1. Vozes diferentes geram engajamento para marcas nos aplicativos de guia.
  2. Vozes graves inspiram mais confiança. Vozes femininas, que lembrem algo maternal, acalmam quem as ouve.
  3. Marcas podem se utilizar de vozes populares como caminho criativo para se diferenciar no mercado.

Thiago Costa é jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e especialista em Marketing pela FAAP, onde atua na Faculdade de Comunicação e Marketing, como professor do curso de Publicidade e Propaganda e coordenador do curso de pós-graduação em Comunicação e Marketing Digital. É sócio da agência EVCOM, trabalhando na comunicação entre pessoas e marcas desde 2004. Quer saber mais? Conheça nossos autores
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