Categorias

Arquivo

17 de abril de 2017



Pokémon Go foi, sem dúvida alguma, o maior hit dos games para plataformas móveis de 2016, como mostramos aqui no The Compass. Segundo dados da Niantic – empresa responsável pelo jogo – até março deste ano, o jogo havia sido baixado mais de 650 milhões de vezes e mais de 88 bilhões de monstrinhos haviam sido capturados até o início deste mês. Os números são avassaladores, mas o game está tendo que se reinventar para manter uma base de fãs ávida por caçar as famigeradas criaturinhas.

Lançado em julho do ano passado nos Estados Unidos e em agosto aqui no Brasil (veja nossa análise sobre a primeira versão), o game já mostrava perda de grande número de jogadores após seus três primeiros meses de vida. Apesar do alarde “apocalíptico” da grande mídia em torno deste fato, sabemos que o universo dos games mobile está acostumado a trabalhar com este tipo de padrão, no qual há um interesse massivo inicial por um determinado jogo, para em seguida restar uma base de usuários mais engajados com a experiência.

No caso de Pokémon Go não foi diferente; após o boom inicial, foi sendo criada uma base de players que valoriza a experiência de dificuldade crescente em subir níveis e completar a tabela com os diferentes tipos de criaturas. No entanto, mesmo estes jogadores e jogadoras mais envolvidos com a experiência começaram a desistir do jogo no início do ano. Por quê? O jogo começou a se tornar repetitivo e monótono.

Visando manter a base ativa e tentando atrair mais público, em fevereiro deste ano a Niantic lançou 80 novos pokémons e apostou em melhorias de interface e geolocalização. Agora é possível visualizar de maneira mais clara onde estão localizadas as personagens do jogo e há uma precisão maior em relação aos quilômetros percorridos (que são necessários para chocar ovos e conseguir mais pokémons). Além disso, a empresa apostou em bônus que premia os jogadores que interagem com o jogo pelo menos uma vez por dia, incrementou as batalhas nos ginásios e trouxe novas evoluções para alguns dos monstrinhos da primeira geração.

A aposta é em conteúdo e melhorias tecnológicas, mas a Niantic não dá sinais em utilizar a interface do game para parcerias com marcas relevantes ao público ou para ações promocionais com geolocalização para manter o público mais engajado e valorizar a experiência. No primeiro semestre de 2016, pouco antes do jogo ser lançado, especulava-se que o game seria uma plataforma para que diferentes marcas e empresas fizessem parcerias promocionais levando os players a – potencialmente – se deslocarem até determinados pontos de venda para ganhar bônus exclusivos. Tal fato não aconteceu.

Podemos ponderar que, talvez, a Niantic não se vale de tal estratégia para preservar a experiência do jogo “pura” para o seu público, mas – ao mesmo tempo – visualizamos inúmeras possibilidades de marketing dentro de um contexto que reúne um universo lúdico extremamente rico em conteúdo e fãs extremamente engajados com a marca. Apesar da perda de usuários, Pokémon Go está conseguindo um feito valioso: manter uma base conectada durante mais de seis meses na sua plataforma. Vamos ficar atentos para os caminhos que o game irá tomar.

Precisa de um atalho?
>> Pokémon go foi lançado nos Estados Unidos em julho de 2016.

>> O game já soma mais de 650 milhões de downloads ao redor do mundo.

>> Apesar de uma série de modificações e aposta em novos conteúdos, o jogo não dá sinais que pretende explorar parcerias com marcas ou ações promocionais com empresas. 


Vince Vader é doutor em comunicação e consumo, game designer e supervisor da área de games do curso de Tech da ESPM. Também é autor dos livros "Game Design" e "Game Cultura" lançados pela Cengage Learning. Quer saber mais? Conheça nossos autores.
facebook twitter email

Já falamos muito sobre a gente

Vamos falar de você

Será que acabamos se tornam melhores amigos ? Você vai ouvir de nós em breve.