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8 de junho de 2017

A Maria não é de lá, ela veio do interior para a cidade grande porque seus sonhos também eram grandes. Cidade grande é sempre um mundo, uma imensidão onde quem vem de fora se perde. Maria se perdeu de várias maneiras, e quando deu por si estava bem longe do que havia sonhado: mãe solteira, morando longe do emprego, dando nó em pingo d’água para pagar as contas que não tinham fim. Resultado? A vitalidade cada vez mais baixa, o peso cada vez mais alto, a autoestima em queda livre. Como eu poderia ajudar Maria?


Maria era uma persona que meu grupo criou num projeto para melhorar a saúde pública numa grande cidade latino-americana. Enquanto muitos pensavam em como tratar dos doentes, eu pensei: como evitar que as pessoas fiquem doentes?

Uma das maneiras era promover seu bem-estar, o que é algo mais amplo e humano que pensar só em saúde e órgãos e sintomas, e um dos recursos que imaginamos foi mostrar pra Maria onde, não só no seu bairro mas ao longo (e bota longo nisso) dos seus trajetos ela poderia encontrar coisas que pudessem ajudar no seu bem-estar: parques, quadras de esporte, academias populares, centros comunitários, bibliotecas públicas, feiras orgânicas, recursos que a cidade oferece a todo mundo mas que nem todos sabem que existem.

Resultado: apontando no mapa coisas relevantes, demos de presente para a Maria uma cidade nova, humana, digna, uma cidade que ela não conhecia apesar de atravessá-la todo dia. Espero que ela explore ao máximo os novos caminhos.

Vou confessar: eu gosto de ser útil, gosto de saber que o que faço torna o mundo melhor do que antes. Talvez por isso eu tenha mudado de carreira há vinte e um anos para trabalhar com internet, para tornar a vida de todos mais fácil, pois no digital a gente pode e deve fazer coisas acontecerem.

Um exemplo que me inspirou bastante: o PRODAM, órgão da prefeitura responsável pelo processamento de dados do município criou o LabPRODAM onde todos os dados possíveis (e eles tem muitos dados) estão abertos a quem quiser fazer bom uso deles. Eles estão abertos inclusive à entrada de novos dados gerados por projetos independentes. Quer reportar um buraco na calçada? Um vizinho barulhento? Tudo isso pode alimentar e se alimentar dos dados do LabPRODAM. Eis aí um belo exemplo de uso de geolocalização com prestação de serviços relevantes e, mesmo não sendo um case de marketing, pode inspirar empresas cujos dados podem ser úteis aos cidadãos. Seguradoras, empresas de saúde, quantas empresas não têm um tesouro de informações que poderiam ser úteis aos seus consumidores em movimento?

Ou, pensando numa via de mão dupla, quantos serviços não poderiam se beneficiar com a contribuição dos usuários fiéis do Waze? Nos Estados Unidos e na Europa já existem experimentos onde os órgãos públicos são notificados em tempo real assim que um usuário reporta um acidente no Waze, o que reduz o tempo de socorro e salva vidas (leia a reportagem completa aqui). No Brasil o Waze já tem uma parceria bastante interessante com as rodovias CCR.

Mais ideias? Eu adoraria saber quais são as bibliotecas públicas no meu trajeto, ou onde existem centros de reciclagem perto de casa. Meu sonho, inclusive, era promover feirinhas onde as pessoas do bairro pudessem trocar livros já lidos. Quem não gostaria de saber que uma feira dessas está próxima do seu caminho? E se tivéssemos algo parecido indicando em que regiões da cidade o ar é mais limpo e propício ao exercício?

A FGV divulgou recentemente: até o final de 2017 teremos no Brasil um smartphone por habitante, e isso se traduz em quase duzentos milhões de oportunidades de fazer diferença na vida diária dos brasileiros. Esse nosso projeto de bem-estar seguiu uma metodologia bacana onde a primeira etapa é definir o MTP da ideia, sua Massive Transformative Proposition. Não, não é só uma questão de Valor ou Missão ou de um slogan dizendo porque somos o máximo: é traduzir numa frase ao que viemos, o impacto que queremos ter, aquilo que nos inspira e que pode também inspirar as pessoas. Se houver publicitários na roda a primeira tentação é bolar algo... publicitário, e só com muito esforço saímos disso para algo que possa mudar o mundo. Espero, aliás, que as novas escolas de Publicidade e Marketing ensinem as novas gerações a ajudar as pessoas e a tornar seu caminho mais rico.

Qual foi o nosso MTP? Tornar o bem-estar contagiante. E espero que as Marias do mundo curtam o que colocamos nos seus mapas.



René de Paula Jr é consultor credenciado da ExO Works e do Fastrack Institute.



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